Moradores comemoram recomendação do MP

Moradores do bairro de Candelária comemoraram a recomendação do Ministério Público, através da promotoria do Meio Ambiente, para que o “Ponto Verde” de recolhimento de lixo da Urbana não fosse construído no bairro. A recomendação do promotor João Batista Machado foi publicada no dia 15 de abril. Os moradores protestam por acreditar que o “Ponto Verde” irá se transformar num lixão, desvalorizando os imóveis da área. Pesa também o fato de um poço de água, pertencente à Caern, estar localizado ao lado de onde seria o “Ponto Verde”.

Esse foi um dos pontos abordados pelo promotor João Batista na recomendação. O texto mostra que a Caern não foi consultada acerca de possíveis contaminações no local. O princípio da participação popular também não foi respeitado, tendo em vista os protestos dos moradores, principais afetados. A licença ambiental é outro ponto, pois está vencida. Entre outras supostas irregularidades encontradas pela promotoria, o relatório de impacto de trânsito foi realizado “de forma genérica”. A recomendação do MP foi suspender a construção até que todas as pendências sejam sanadas, incluído nisso a renovação da licença e a realização de estudos técnicos.

O que os moradores de Candelária desejam é a construção de uma capela no local onde seria o “Ponto Verde”. A aposentada Ana Maria de Paiva, de 82 anos, aguarda ansiosamente pela construção do templo religioso. Ela guarda em sua casa uma imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, a quem seria dedicada a Capela. “Ganhamos o terreno em uma doação da Prefeitura, que assegurou a construção da capela. Agora, a nova administração quer mudar tudo”, fala, observando a imagem da Santa.

O também aposentado Luiz Gonzaga de Melo, de 80 ano, mora no entorno do Ponto Verde, às margens da avenida da Integração, há três meses, contudo já se inteirou da polêmica. “Eu também sou contra porque a Prefeitura pode muito bem encontrar outro local. Isso aqui vai encher de carroceiro se o tal Ponto Verde for construído”, diz. Os moradores não acreditam no poder público como mantenedor da ordem e dizem que, ao contrário do que informa a Prefeitura, o local será transformado em um “lixão”. “Você sabe repartição pública como é. Daqui a pouco, chega “gato morto”, “cachorro morto”, tudo para ser colocado aqui”, diz Luiz Gonzaga. A intenção da Prefeitura é manter o local para recolher metralha, poda de árvores e lixo reciclável, diminuindo a quantidade de acúmulo desses materiais no meio da rua.

A Urbana recebeu com surpresa a informação de que o MP e a população se posicionaram contra a construção do Ponto Verde em Candelária. Apesar de confirmar que a licença ambiental do local está vencida, o gerente de engenharia da autarquia, Haroldo Martins, diz que o problema já estaria encaminhado para a renovação da licença. Além disso, também afirmou que a Urbana já realizou diversos encontros com os moradores e o conselho comunitário teria apoiado a iniciativa da Prefeitura em construir o Ponto Verde no bairro. No entanto, ele garante que não é intenção do município construir os ecopontos em locais onde a população seja contrária à ideia. “Geralmente propomos a construção onde tem um terreno que habitualmente as pessoas já depositam lixo de forma inadequada. Vejo a obra como um benefício e há exemplos em Natal de que a ação dá certo, como nos outros ecopontos”, explicou.

Como a Urbana só teria recebido formalmente a recomendação do MP na sexta-feira passada, a autarquia ainda discutirá o que fazer sobre o caso. O pensamento inicial é promover mais uma audiência pública com os moradores da região e, dependendo do resultado do encontro, buscar um novo local para a construção do Ponto Verde.

Fonte: Tribuna do Norte

http://tribunadonorte.com.br/noticia/moradores-comemoram-recomendacao-do-mp/146103